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São Paulo, 9 de Setembro de 2010

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BOAS NOTÍCIAS Luz no fim do túnel

Projetos de R$ 40 bilhões do governo e do setor privado mobilizam empreiteiras e abrem perspectiva de criação de milhares de empregos na construção pesada.

No Orçamento da União para este ano, estão previstos investimentos de R$ 21 bilhões. Só em transportes, serão R$ 6,5 bilhões – 700% a mais do que no ano passado. Em grandes projetos privados já anunciados para 2005, há pelo menos outros R$ 20 bilhões. E a aprovação da lei das Parcerias Público-Privadas (PPPs) ainda abre espaço para mais R$ 15 bilhões em dois anos, de acordo com as estimativas dos empresários, cujo entusiasmo é proporcional à grandeza dos números. “Nos últimos vinte anos, nunca vislumbramos um cenário tão positivo para a área de infra-estrutura”, garante Luís Fernando dos Santos Reis, presidente do Sindicato Nacional da Construção Pesada, um setor que enfrentou dois anos de marasmo no início do governo Lula. Com tanto dinheiro à vista, as empreiteiras já se armam para a disputa. Na Odebrecht, por exemplo, uma área só para cuidar de PPPs vem sendo estruturada – a prioridade é a construção de mais um trecho do Rodoanel, em São Paulo, orçado em R$ 1,9 bilhão. Na Andrade Gutierrez, a grande aposta recai nas estradas que serão transferidas à iniciativa privada em 2005, como é o caso da Fernão Dias, e em algumas concessões de saneamento e portos. “A Lei das PPPs ficou muito bem estruturada e vamos entrar para valer em todas as licitações”, adianta Ricardo Castanheira, diretor de Desenvolvimento da empreiteira.

As expectativas no setor de infra-estrutura começaram a mudar da água para o vinho no fim do ano passado, quando o Ministério dos Transportes acertou as dívidas com os empreiteiros – havia mais de R$ 900 milhões em faturas atrasadas. “Além de honrar o passado, passaram a pagar em dia, o que há muitos anos não acontecia”, diz Santos Reis. Com a credibilidade em alta entre os empresários, o ministro Alfredo Nascimento, dos Transportes, conseguiu ampliar seu naco do orçamento em R$ 3 bilhões no apagar das luzes de 2004. “Agora teremos condições de dar condições de tráfego a 70% das rodovias que estão com problemas no País”, disse Nascimento à DINHEIRO. Além da recuperação da malha viária existente, haverá recursos para concluir a duplicação de rodovias importantes, como a BR-116, de São Paulo a Curitiba, e a BR-381, de São Paulo a Belo Horizonte. Outro projeto prioritário é a extensão da BR-101, no Sul do País, concluindo o chamado eixo do Mercosul. “Finalmente, o governo encarou de frente o problema das estradas”, festeja Carlos Lovatelli, presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag). “Nos últimos três anos, devido à má condição das estradas, a velocidade média dos caminhões graneleiros caiu 40% e o frete subiu na mesma proporção”, afirma.

A aprovação da lei das PPPs também aguçou o interesse de empresários estrangeiros. É o caso do grupo chinês Citic, que se associou ao Brasilinvest, do empresário Mário Garnero, para investir no setor ferroviário. As duas prioridades são um ramal da Ferrovia Norte-Sul, no Maranhão, e a Transnordestina – ao todo, os chineses têm US$ 2 bilhões para aplicar no Brasil. “Um dos aspectos positivos da lei foi a criação do fundo garantidor, o que dá mais segurança aos empresários”, avalia Garnero. O fundo terá R$ 6,5 bilhões em ativos, que serão usados em caso de inadimplência do poder público. “PPP é algo que depende essencialmente de confiança”, diz o advogado Francisco Mussnich, cujo escritório tem assessorado grandes investidores estrangeiros.

O otimismo empresarial, porém, não se limita apenas aos grandes projetos ligados ao Estado. O volume de investi-
mentos privados em setores como mineração, siderurgia e celulose é o maior em vinte anos. Há mais de US$ 40 bilhões engatilhados que serão gastos até o fim da década. “A expectativa dos em-
presários que estão investindo é de que o País comece a vencer os obstáculos que empacam o crescimento”, afirma Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib). Mais do que simplesmente reduzir o Custo Brasil, as obras também vão gerar milhares de empregos. Somente as coman-
dadas pelo Ministério dos Transportes devem empregar 110 mil brasileiros já em 2005. Até fevereiro o governo deve licitar oito lotes de rodovias federais para explo-
ração da iniciativa privada e as empresas que ganharem a licitação ficarão obrigadas a fazer as obras de restauração e sinalização. No pacote de prioridades, consta ainda a construção da BR-163, na divisa de Mato Grosso com Pará, que é crucial para o escoamento da produção de grãos. Além disso, do Ministério da Integração Nacional se mantém de pé a promessa de transposição do São Francisco. O custo total é
de R$ 4,5 bilhões, dos quais R$ 625 milhões serão gastos em 2005. “Vamos adquirir máquinas e equipamentos, começar a escavação de canais e a colocação de con-
creto”, conta João Urbano, coordenador técnico do projeto. Depois de muito tempo paradas, as máquinas da construção pesada finalmente vão voltar a funcionar.

Colaborou Thais Vasconcelos
IstoÉ Dinheiro


Autor: tina evaristo e Leonardo Attuch
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